HEPATITE C: UMA DOENÇA À BEIRA DA ERRADICAÇÃO

HEPATITE C: UMA DOENÇA À BEIRA DA ERRADICAÇÃO

O progresso da Medicina no diagnóstico e tratamento da hepatite C é formidável! O vírus C foi descoberto em 1989. Rapidamente a Ciência descobriu um exame simples, para triagem, o anti-HCV, bem como as pesquisas  qualitativa  e quantitativa do vírus, pela reação de polimerase (PCR).

Nos anos 90 começaram as tentativas terapêuticas com interferon, inicialmente por 6 e a seguir por 12 meses.

Em 1997 a ribavirina foi associada ao interferon, aumentando as chances de cura para aproximadamente 30-50%, com terapias de 6 a 12 meses de duração.

Em 2000 o interferon foi revestido com polietilenoglicol, surgindo o interferon peguilado Assim, as injeções deixaram de serem feitas 3 vezes na semana, passando a uma única dose semanal. Além disto, o resultado terapêutico melhorou, com curas oscilando entre 50-60%.  O tratamento gerava, no entanto, MUITA morbidade, com muito sofrimento para o paciente, além de ser muito caro. Em 2011 foram lançados os inibidores de protease de primeira geração: o boceprevir e o telaprevir, de uso exclusivo nos portadores de genótipo 1. Esse subtipo do VHC sempre foi o mais difícil de curar até então. Esses novos produtos eram muito tóxicos e caros. Um deles era tomado 12 cps./dia, com custo aproximado de R$ 70 mil, afora o peginterferon e a ribavirina. O tratamento triplo melhorou as chances de cura de alguns pacientes, com enorme sofrimento, no entanto.

Com a decifração do código genético do vírus C, a Ciência conseguiu identificar estruturas virais a serem atingidas por novos fármacos. Surgiram os inibidores de protease de segunda geração, os inibidores de polimerase e os inibidores da enzima N5Sa. Esses novos fármacos são de uso exclusivamente oral, em uma única dose diária. Os inibidores de polimerase e os inibidores da enzima N5Sa atingem todos os subtipos (genótipos) do vírus. Assim, os tratamentos em sua maioria duram somente 12 semanas, com 2 cps./dia e chances de cura que chegam muito próximos de 95% para a maioria dos infectados.  O genótipo 1 deixou de ser o “bicho-papão” e os coinfectados com o HIV tem agora a mesma chance de curar o VHC que os monoinfectados.

Em uso desde dezembro de 2013 em diversos países, esses maravilhosos medicamentos estão chegando ao Brasil neste 2015. É uma grande notícia!

 

Paulo R. Reichert